Talvez você não conheça o conto “João e o Pé de Feijão”,
então vou resumir. Na versão de Benjamin Tabart (1807) o conto é narrado da seguinte
forma:
João, a pedido de sua mãe, sai para vender uma vaca, Branca
Leiteira o seu nome, a última fonte alimentar da família. João já é órfão de
pai, ele e sua mãe passam necessidades pela misteriosa morte do seu pai. No comercio ele troca sua vaca por feijões
mágicos. Quando chega em casa sua mãe fica furiosa. Ela joga os feijões pela janela e, sem jantar, manda o
menino ao quarto. No quarto, o jovem adormece.
No dia seguinte,
à janela do quarto, João depara-se com um enorme pé de feijão. Ele começa a
escalar e quando chega ao topo do pé de feijão, ele encontra uma fada. Então descobre
que, no passado, o gigante matou o seu pai. A fada lhe conta também que tudo
que o gigante possui, hoje, era de seu falecido pai, logo tudo pertence a ele.
Sabendo disso João começa a “roubar” o gigante. Ele rouba uma das sacolas de ouro, uma galinha
mágica que põe ovos de ouro e uma harpa mágica. Ao sair pela porta, a harpa
mágica fala “mestre, mestre” e acorda o gigante. João foge com ela, desce o pé
de feijão e – quando está próximo de casa – grita à mãe que traga um machado.
Ele olha para cima e vê os pés do gigante descendo pela planta, então, corta o
pé de feijão fazendo com que o gigante morra na queda...
Agora escute
essa música: João e o Pé de Feijão - Cícero
Imagine a
dor que sentiu João ao perder seu pai. Imagine a falta que ele sentiu. Quantos
problemas ele teve que enfrentar na família e ser empurrado a crescer mais cedo
que as outras crianças para sustentar a sua mãe. O desespero era tanto que ele trocou seu
único sustento, a vaca Branca Leiteira, pela esperança de lucrar mais com
os feijões mágicos.
Ao subir
aquele pé de feijão ele deixara sua realidade para morar longe dos seus
problemas. Ou quem sabe ele já não subiu na esperança de encontrar um lugar
melhor para se viver. Coitado! “A curiosidade matou o gato”, lá ele encontra
outra verdade que feriu mais ainda seu coração, o assassino do seu pai. Quanta mágoa ele sentiu.
Essa verdade despertou um senso de justiça em João. Pois por causa do gigante
ele e a sua mãe pereciam lá em baixo.
Ah, já ia esquecendo-se
da mãe de João. Os feijões não precisam de terra funda para brotar. Numa
atitude de tristeza a mãe de João simplesmente descarta os feijões, sem dar
crédito às palavras de João. Mas será
que se ela não tivesse jogado os feijões pela janela o João iria fazer o mesmo
que a gente fez na escola? Pois quem nunca plantou um feijão no algodão? Ou
será que a mãe de João sabia que os feijões precisam ficar longe de toda aquela
dor e escuridão que ela vivia dentro de casa?
O pé de feijão é uma planta fotoblástica positiva. Plantas que são fotoblásticas positivas
germinam na presença de maior quantidade de luz, por isso são plantadas, ou
jogadas (trazendo para o conto), em solo raso.
Referências: Marcelo Buckowski
Seria preciso muito
algodão para enxugar as mágoas causadas por aqueles feijões.